Mas calma. Tem esperança.
A Open AI lançou o Sora 2 recentemente. Quando ele saiu, parecia a melhor coisa do mundo. A qualidade dos vídeos era absurda, com movimentos, física e uma fala que não era nada robotizada, diferente de outras ferramentas. Era um realismo que nunca tínhamos visto em um vídeo gerado por IA.

O Brilho Inicial e a Ilusão da Criação Ilimitada
O aspecto mais chocante de verdade era que o Sora 2 era sem censura. Você podia usar qualquer personagem, qualquer pessoa, e fazer praticamente qualquer coisa. Havia restrições relacionadas a crime, violência ou sexualidade, mas já era o suficiente para as pessoas abusarem da ferramenta.
Foi o puro suco do que chamamos de Slop: conteúdo viral, descartável, usado para ganhar cliques e views, ou seja, “fazer uma graninha com o lixo”. Vimos:
- Martin Luther King imitando macaco.
- Michael Jackson e Hitler batendo boca.
- Personagens da Nintendo, como Pikachu e Super Mario, em situações esdrúxulas.
Era o caos, mas também tinha muita coisa inegavelmente engraçada. Todo mundo estava adorando. Em apenas três dias, o Sora 2 virou o aplicativo número um baixado nos Estados Unidos, catapultando o valor da Open AI — a empresa que comanda o ChatGPT e o Sora 2 — para meio trilhão de dólares.

O Contra-Ataque e a Polêmica do “Aviso”
Obviamente, as grandes empresas detentoras dos direitos desse conteúdo não ficaram felizes. Disney, Nintendo, e as grandes redes de TV americanas começaram a esboçar um contra-ataque. A brecha para um processo judicial era enorme.
E qual foi a resposta da Open AI? Uma manobra no mínimo curiosa:
- Eles soltaram uma nota e atualizaram os termos de uso, falando que os usuários são responsáveis pelo que postam.
- Para os detentores de conteúdo, eles disseram: se você não quer que a gente use o seu conteúdo, você vai ter que nos informar.
Mal comparando, é como dizer: “quem não quiser ser assaltado tem que avisar que não quer ser assaltado”.
Além dessa polêmica, a plataforma começou a ficar lenta devido ao volume considerável de pessoas. Pior ainda, quem tentou deletar a conta por medo dos direitos autorais relatou que a conta não só do Sora 2, mas também do ChatGPT, era deletada. Em alguns casos, pessoas foram até banidas, indicando que o sistema estava todo interligado de uma maneira esquisita.
O Inferno da Censura e a Lição dos Direitos Autorais
O que parecia ser o século da criação ilimitada logo virou um inferno da censura. Na realidade, não foi bem uma censura, mas sim a obrigação de ter que operar normalmente, como todos os outros. Afinal, a Open AI nunca teve os direitos de verdade sobre a maior parte daquele conteúdo.
Toda essa euforia da criação sem limites explicitou uma coisa séria: eles treinaram, pode-se dizer, ilegalmente a ferramenta com conteúdo que não era deles. Quase tudo que vimos é conteúdo licenciado de outras empresas. Lembro que em uma das minhas primeiras gerações, apareceu no final aquele coloridinho azul e vermelho, o logo do TikTok. Claramente, eles roubaram várias coisas do TikTok.
A Esperança: Rumo à “Netflix da IA”
O que tiramos disso tudo? Uma coisa é certa: o Sora 2 deu o gostinho da liberdade para as pessoas, e essa pulga atrás da orelha será muito difícil de tirar.
Apesar da Open AI ser uma gigante, ela não pode ficar brigando com outras empresas gigantes, para as quais o conteúdo é o bem mais valioso. Elas não podem abrir mão disso porque é “legal”.
No entanto, vejo uma esperança nessa bagunça:
A Open AI foi extremamente ousada, quebrando regras e desafiando limites. Ela mostrou o que é possível. As empresas donas do conteúdo ficaram furiosas, mas também perceberam que existe um grande interesse do público nisso. E onde tem interesse, tem grana.
A solução pode ser a Open AI criar algum tipo de sistema onde as empresas que desejarem possam deixar seus personagens licenciados disponíveis para serem usados no Sora 2. Obviamente, por um valor, uma pequena parcela de dinheiro.
Se todo mundo estiver ganhando, aquele pequeno “crimezinho” lá do início (a farra ilegal) pode ser facilmente perdoado. Estamos olhando para um futuro onde acordos, parcerias e licenças podem estar concentrados no Sora 2, como a EA Games fazia com a FIFA e os jogadores.
Seria uma grande Netflix da inteligência artificial, onde você pode usar personagens criados pela própria Netflix, Disney, Amazon Prime, e outros. Haveria controle sobre o que você pode gerar, mas talvez fosse possível um meio-termo, onde, se não envolver crime ou sexualidade, dê para fazer algo engraçado e legal com esses personagens.
Enfim, seria um acordo jurídico gigantesco, mas coisas que pareciam impensáveis — como o grande acordo da EA Games com a FIFA — já foram feitas, então há um precedente.
Conclusão
O Sora 2 foi uma grande alegria, depois virou uma frustração, e agora estamos vendo o que conseguimos fazer com o que nos foi permitido. Mas talvez ele seja o primeiro de uma nova onda, uma nova era de como o conteúdo vai ser produzido. Estamos muito no começo, e tudo acontece muito rápido.


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